"Sem reflexão não há evolução."

Jairo Alves

@jairobigbrain

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Reflexões sobre a forma divina

11/02/2014 21:25

A história nos mostra que a humanidade sempre acreditou que as divindades têm formas. As formas divinas podem ser enquadradas em três categorias básicas: a zoomórfica, a antropomórfica e aantropozoomórfica. A categoria zoomórfica abrange as divindades cujas formas são animais. A categoria antropomórfica abrange as divindades cujas formas são humanas. A categoriaantropozoomórficas abrange as divindades cujas formas combinam características humanas e animais.

 

A humanidade tem uma grande dificuldade em conceber divindades amórficas, isto é, disformes. Esta limitação acontece porque nós somos condicionados para raciocinar através da manipulação de formas. Em outras palavras, o condicionamento cultural ajuda a criar uma barreira que dificulta muito a imaginação de entidades sem formas.

 

As formas divinas estão diretamente ligadas com o estágio de desenvolvimento cultural dos povos. Em outras palavras, a definição das formas das divindades depende das nossas crenças e valores, pois os fatos mostram que elas tendem a se modificar juntamente com a nossa evolução cultural. Isso significa que as formas são evidências de que as divindades são frutos imaginação humana, independentemente da veemência dos seus defensores.

 

A forma é uma faca de dois gumes, pois ela viabiliza o corpo e inviabiliza a divindade. Isso acontece porque tudo que tem corpo está obrigatoriamente sujeito as leis da natureza. Em outras palavras, a forma facilita a venda de divindades, pois lhes dá corpo e imagem, mas gera uma grande incoerência, pois nenhum ser fisicamente delimitado pode contrariar as leis da natureza. Outro motivo que impossibilita aos seres fisicamente delimitados serem divindades é a existência condicionada, pois toda forma tem a sua existência condicionada à outra que lhe é hierarquicamente superior. Em outras palavras, a limitação imposta pela forma é uma evidência de que a existência do seu respectivo ser não é incondicionada, tal como deveria ser uma divindade. Um deus cuja existência esteja condicionada a outro deus, não é um deus, é apenas um produto de uma imaginação muito rudimentar.

 

Uma forma somente poderá ser considerada divina se o seu corpo for o universo, pois somente nesta condição ela poderia ser responsabilizada por todas as coisas. Esta visão é conhecida como panteísta. Uma divindade com esta configuração não teria membros, órgãos nem cabeça, pois tudo isso não teria utilidade nem faria sentido algum. Em outras palavras, Deus somente poderia gerar e manter todas as coisas do universo, caso ele fosse o próprio universo. A existência de um deus panteísta exclui qualquer possibilidade de divindades que tenham formas zoomórficas, antropomórficas ou antropozoomórficas. Em outras palavras, as formas são ótimos motivos para a humanidade rejeitar todas as divindades que lhe foram impostas através dos tempos.

 

Em suma, a forma antropomórfica inviabiliza a existência de Deus, mas será que há uma forma panteísta que possibilite a construção do universo e de tudo que existe nele? A resposta a esta pergunta parece impossível a primeira vista, mas você pode se surpreender, se ler o meu artigo: “Uma visão surpreendente do universo”, que foi publicado neste mesmo site.