"Sem reflexão não há evolução."

Jairo Alves

@jairobigbrain

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O Deus dos Cientistas

11/02/2014 21:22

Os cientistas são vistos como ateus por muita gente. Contudo, muitos deles aceitam ou estão propensos a aceitar a existência de um Deus. Obviamente, as obras deste Deus não poderiam prescindir das leis da natureza, pois isto conflitaria com os conhecimentos empíricos. Em outras palavras, os cientistas somente têm motivos para rejeitar deuses cujas capacidades contrariem a lógica. Exemplo: Os cientistas não podem aceitar um Deus que tenha a capacidade de determinar inteiramente o nosso destino, pois isto anularia a nossa autonomia e nós seríamos apenas marionetes. Entretanto, há também aqueles cientistas que acham que tudo já está programado e que o livre-arbítrio é apenas uma ilusão. Divergências à parte, aceitar a existência de um Deus não é exclusividade de organização alguma.

 

Atualmente, muitos cientistas preferem acreditar que o universo surgiu de um “nada” que eles denominam de “vazio quântico”. Alguns deles acham que o “nada” pode ser a fonte de todas as leis naturais e das possibilidades materiais, isto é, eles acham que o segredo da criação está latente no “nada”. Outros cientistas já acham que o “nada” é uma mente cósmica, ou seja, para eles o “nada” é a “mente de um Deus”, o Deus dos cientistas. O físico Paul Daviesparece concordar com isto, pois para ele, tudo no cosmo revela intenção e consciência. Esta visão de Deus é mais lógica do que a usual, mas peca pelo mesmo motivo, pois transfere toda a responsabilidade da criação e manutenção do universo para o “nada” sem demonstrar como isto acontece.

 

O Deus dos cientistas e o das religiões são muito parecidos, pois ambos pressupõem que existam dois mundos, um material e outro imaterial. Em outras palavras, ambos desconsideram a possibilidade de que o “nada” possa se transformar em absolutamente tudo por ser o único insumo que exista. Aparentemente, os cientistas se esqueceram que qualquer coisa quando decomposta ao seu extremo resulta em “nada”. Descobrir o que é o “nada” é um grande desafio, mas é imprescindível para que se chegar à verdade.

 

A capacidade construtora do "nada" está em absolutamente tudo. Uma boa evidência disto está no nosso próprio corpo. Toda matéria dele é substituída de tempos em tempos. As únicas coisas perenes dele são a nossa forma e o nosso “eu”. Isto significa que nós somos feitos de nada? Que o “eu” habita um lugar que ainda é desconhecido por nós? Estas são perguntas óbvias que já embutem respostas óbvias, mas nem tudo que parece óbvio é verdadeiro.

 

A primeira pergunta que deveríamos fazer para saber se o Deus dos cientistas é viável é a seguinte: O que é o “nada”? Esta pergunta tem que ser respondida com muita precisão. Não importa qual seja a sua fonte. Caso contrário, teremos apenas mais uma especulação ou crendice. O melhor jeito de conferir a exatidão destas respostas é verificando se “o nada” tem propriedades que lhe permitam materializar e evoluir. A primeira vista isto parece impossível, mas a "Teoria do Big Brain" apresenta de uma forma inteiramente factível e bem detalhada uma respostaque cumpre todas essas exigências. “A tarefa não é tanto ver o que ninguém viu ainda, mas pensar o que ninguém pensou sobre algo que todos vêem.” (Schopenhauer)