"Sem reflexão não há evolução."

Jairo Alves

@jairobigbrain

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O “status quo” e as religiões.

11/02/2014 21:21

As pessoas veem se desentendendo a milênios por causa das suas opções religiosas ou pela falta delas. Por que será que a opção religiosa é tão importante para a humanidade? Será que a divergência de opinião com relação à existência de Deus, do paraíso, do inferno, do mal, de profetas, do diabo ou dos anjos é realmente o ponto central do desentendimento entre os seres humanos ou há algo mais? Para tentar responder a esta pergunta vamos analisar dois fenômenos culturais; o etnocentrismo e o “status quo”, pois o peso de ambos é muito significativo nos desentendimentos humanos.

 

O etnocentrismo é a tendência de acreditarmos que os valores do nosso povo são os certos. Isso acontece porque os valores são transmitidos e memorizados juntamente com emoções. Em outras palavras, nós defendemos os pontos de vista coletivos porque o ataque a eles nos emociona. O etnocentrismo é responsável por muitos conflitos, pois ele sustenta a fé até mesmo contra a razão. Até as pessoas boas fazem coisas más por causa do etnocentrismo. O etnocentrismo pode causar muitas divergências, mas sozinho ele é insuficiente para justificar toda hostilidade que pode ser produzida quando o tema em questão é a religião. A única maneira de atribuir essa capacidade para etnocentrismo é associá-lo a manutenção do “status quo”.

 

O termo “status quo” serve para designar o estado atual de alguma coisa. A expressão “manutenção do status quo” é geralmente utilizada para mostrar que algo ou alguém tem propensão em defender os estados que são do seu interesse, ou simplesmente, defender os seus interesses. A “manutenção do status quo” é o principal motivo dos conflitos que são atribuídos ao posicionamento religioso. Em outras palavras, a defesa de interesses é o principal motivo da hostilidade relativa ao posicionamento religioso. Algumas pessoas e organizações fazem qualquer coisa para defender os seus interesses. Uma delas é fomentar o etnocentrismo, pois a divergência de pontos de vista causa um entrave à evolução cultural que ajuda a manter o “status quo” e os benefícios decorrentes dele.   Os dois principais interesses que a manutenção do “status quo” religioso ajuda a preservar são: os interesses financeiros e o modo de vida.

 

O “status quo” que suporta aos interesses financeiros é defendido por qualquer pessoa ou organização que perceba ameaças as suas receitas financeiras. Exemplos: Grande parte das guerras têm como fachada o etnocentrismo, mas na realidade são motivadas por interesses financeiros. Muitas organizações cultivam o etnocentrismo para manter um estado discriminatório que lhe é financeiramente favorável. Esta prática geralmente é conhecida como fidelização. Note que este conceito é aplicável a qualquer tipo de organização. Em suma, o homem manipula a situação do homem em prol dos seus interesses. Este fato é tão evidente que foi imortalizado na celebre frase: “Homo lupus homini est”, que significa: “O homem é o lobo do homem”.

 

O “status quo” que suporta ao modo de vida é defendido pelas pessoas que acreditam na religião como única maneira de sustentar as estruturas sociais que lhes interessam. Essas pessoas consideram que as mudanças de valores são as maiores ameaças que os seus estilos de vida podem sofrer. Elas fazem qualquer coisa para não sair da sua zona de conforto. Elas não admitem que uma nova visão da realidade possa alterar o seu modo de vida. Principalmente, se as mudanças afetarem o poder da estrutura familiar ou organizacional que lhes interessa. É a defesa do “way of life” (modo de vida).

 

Em suma, o etnocentrismo pode causar muitos males, mas até ele pode servir de bode expiatório. Todo assunto que envolve religião é sempre muito polêmico. Se você quiser conhecer outros pontos de vista a respeito da criação leia também: “Uma visão surpreendente do universo.