"Sem reflexão não há evolução."

Jairo Alves

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Cientistas ferem o antropocentrismo mortalmente

11/02/2014 21:05

neurocientista canadense Philip Low (Stanford/MIT) e mais 25 pesquisadores podem deixar muitas pessoas e organizações em uma situação muito embaraçosa, pois eles estão prestes a assinar um manifesto que fere o antropocentrismo mortalmente.

 

O antropocentrismo é o modo de pensar no qual o ser humano é visto como o centro do universo ou da criação. Em outras palavras, os antropocentristas acreditam e propagam que absolutamente tudo na natureza e no universo gira em torno do ser humano. Esta condição privilegiada do ser humano nunca foi comprovada pelos antropocentristas nem por ciência alguma. Entretanto, o antropocentrismo pode ser encontrado em todas as religiões, inclusive nas orientais.

 

O Principal motivo para algumas pessoas e organizações discursarem em prol do antropocentrismo é conquistar seguidores. Este discurso ajuda a convencer mais facilmente as pessoas que as suas almas podem ser salvas. Geralmente, as pessoas e organizações antropocêntricas prometem trabalhar para salvar a alma de qualquer um que se arrependa de seus pecados, desde que este aceite incondicionalmente as suas crenças e valores. Usualmente, estas crenças e valores são atribuídos a fontes sagradas, pois isto impõe respeito e medo.

 

O medo de surtar por estar maltratando, matando e comendo seres semelhantes é outro motivo para serantropocentrista. Em outras palavras, o antropocentrismo também é a maneira que alguns seres humanos encontraram para justificarem alguns dos seus atos e aplacar as suas consciências simultaneamente.

 

O manifesto dos cientistas criará um imenso conflito, pois quando eles reconhecerem formalmente a existência de consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo, estará implícito que o antropocentrismo é inviável. Em outras palavras, o manifesto dos cientistas permitirá deduzir que o ser humano não é tão especial quanto os antropocentristas acreditam.

 

Os neurocientistas deduziram que alguns seres da fauna também têm consciência porque um estudo mostrou que algumas das suas estruturas cerebrais equivalem as que são responsáveis pela produção de consciência nos seres humanos. Este estudo envolveu cães, golfinhos, chimpanzés, bonobos, cães e uma espécie de pássaro chamada pica-pica. Entretanto, os cientistas reconhecem que ainda são incapazes de medir a similaridade entre consciências de espécies diferentes. Contudo, eles acham que a tarefa de produzir consciência artificial ficou menos penosa, pois os cérebros animais têm muito menos neurônios para serem estudados.

 

Os cientistas desconsideraram a possibilidade de que todas as entidades animadas do micro ao macro cosmo sejam conscientes e que o nível de consciência possa variar conforme a sofisticação de cada entidade. Como as raízes de árvores sem consciência alguma de si poderiam saber que têm que desviar de obstáculos? Como elétrons sem consciência alguma de si poderiam saber quais são as partículas que eles têm que repelir ou atrair? As células podem manifestar consciência?  Em suma, os cientistas darão um grande passo quando reconhecerem a consciência nos animais, mas talvez isso seja apenas a ponta do ice-berg.

 

Certamente, o manifesto dos cientistas levará muita gente a reivindicar novas leis de amparo aos animais. Entretanto, ninguém precisa se tornar vegetariano por causa dele, pois os seres humanos apenas exercem uma prerrogativa natural de quem está no topo da cadeia alimentar. Convém lembrar que os animais não têm crise de consciência alguma por devorarem uns aos outros ou aos seres humanos. A crise de consciência é exclusiva dos humanos, pois somente nós cultivamos crenças e valores a este nível.

 

A principal consequência do manifesto dos cientistas em prol da consciência animal pode ser a criação de uma nova visão mais adequada ao desenvolvimento pessoal e social. Nesta nova visão o ser humano passaria a ser apenas mais uma das engrenagens do mecanismo da natureza. Uma engrenagem muito sofisticada, mas sem privilégio sistêmico algum. Para conhecer uma visão mais realista do ser humano, que se enquadra nesta idéia, leia o artigo “O que somos nós?” deste mesmo autor.