"Sem reflexão não há evolução."

Jairo Alves

@jairobigbrain

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Atirando no próprio pé

11/02/2014 21:02

O homem é um animal social, pois ele depende de vários tipos de “bandos” (organizações) para sobreviver. O primeiro deles é família, pois ela é a célula da organização social. Depois veem as empresas, as cidades, os estados, os países etc.

 

As organizações se destacam pelos seus componentes físicos, mas a base de todas elas é constituída pelos eventos que integram os seus processos. Em outras palavras, as organizações dependem de eventos, pois são eles que padronizam os seus funcionamentos.

 

Os eventos que padronizam os funcionamentos organizacionais são impostos pelas vontades das pessoas que estão no comando das organizações. Em outras palavras, o funcionamento das organizações é sempre produto da vontade humana. Exemplo: As vontades dos pais estabelecem a conduta da família. As vontades dos empresários determinam os funcionamentos das empresas. As vontades dos políticos definem a atuação das organizações governamentais.

 

A Vontade é a principal responsável pela criação, movimentação e manutenção de todos os tipos de mecanismos sociais (organizações). Geralmente, estas tarefas e atividades são executadas por vontades de pessoas distintas, pois elas podem ser delegadas a terceiros. Exemplo: As empresas privadas podem ser criadas e geridas pela vontade de seus proprietários ou representantes. As organizações governamentais somente podem ser criadas e geridas pelos representantes da vontade dos eleitores.

 

As eleições servem para escolher quais vontades podem criar e gerir as organizações públicas para atender as vontades dos eleitores. Entretanto, as vontades que compõe a sociedade têm, algumas vezes, interesses divergentes. Este conflito pode fazer com que os nossos representantes priorizem as suas vontades ao invés das nossas. Muitos deles alegam impossibilidade técnica para atender aos interesses sociais, mas isso é uma falácia, pois tudo pode ser resumido a uma questão de vontade.

 

A impunidade favorece o uso da máquina pública para fins privados, pois ela afasta o medo da punição. Melhorar o sistema eleitoral e votar corretamente são medidas paliativas, pois  elas não conseguem evitar que as vontades pessoais (interesses) prevaleçam sobre as coletivas. Sempre existirá uma maneira para enganar os eleitores. Melhorar as organizações públicas também é inócuo, pois elas são feudos quase impenetráveis.

 

Uma maneira de adequar as organizações públicas aos interesses sociais seria instituindo um poder totalmente independente para seguir, apurar, julgar, intervir e punir qualquer representante ou organização públicos que desrespeitasse estes interesses. Entretanto, a escolha dos funcionários, a estruturação e o controle deste poder “Corregitivo” deveria ser dos eleitores e de ninguém mais. Caso contrário, ele poderia ser desvirtuado, como acontece com as organizações públicas já existentes.

 

Em suma, ninguém em sã consciência atiraria no próprio pé, mas quando alguém diz: “eu quero distância de política” o efeito é o mesmo, pois está agindo contra os interesses sociais que também são seus. A conscientização e a participação das pessoas boas e honestas na política são os únicos meios para a formação de uma sociedade mais justa. Este texto foi elaborado com base no artigo “Reflexões sobre a vontade” clique aqui para conhecê-lo.